ESCRITA, REFLEXÃO E SOCIALIZAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS COMO MODO DE (RES)SIGNIFICAR A DOCÊNCIA

  • Vanessa Radiess Neunfeld UFFS
  • Judite Scherer Wenzel UFFS
Palavras-chave: Ensino de Ciências.Reflexão. Formação Docente.

Resumo

O presente trabalho contempla a importância da escrita, da reflexão e da socialização de práticas de ensino no processo da (res)significação da docência. O trabalho teve como base o Programa de formação continuada, Ciclos Formativos em Ensino de Ciências e Matemática, que é realizado desde 2010 no Campus da Universidade Federal da Fronteira Sul de Cerro Largo. Segundo Güllich, Hermel e Bulling (2015), o programa foi criado para contemplar as diferentes necessidades (formativas, atualização, pedagógica, instrumental) dos professores, sejam eles em formação inicial e/ou continuada. A formação ocorre de modo coletivo envolvendo professores formadores, professores da Educação Básica e licenciandos dos cursos de Ciências Biológicas, Física e Química da Universidade. Os estudos e a pesquisa fazem parte do projeto pois o maior objetivo buscado é desenvolver a autonomia do professor por meio do processo de formação-investigação-ação. Os participantes são instigados a prática da escrita, seja em diário de bordo, na elaboração de relatos de experiência, de capítulos de livros e de trabalhos em eventos. Tal ação tem como prerrogativa a qualificação do processo de reflexão na e sobre as práticas. Segundo Güllich, Hermel e Bulling (2015), a curto prazo esses encontros têm possibilitado a atualização docente e a discussão de práticas. Em médio prazo, conseguiu-se desenvolver estratégias reflexivas e pesquisa das práticas docentes que vão progredindo. Essas diferentes estratégias de escritas que estão sendo desenvolvidas apresentam indícios de resultados que estão sendo construídos. Porlán e Martin (1997) nos dizem que o importante é o professor sair de um simples relato da sua aula e começar a analisar as causas e as consequências. É necessário que o professor escreva no diário de bordo e que também escreva relatos contextualizados para publicizar a sua prática, ampliar a sua visão em sala de aula e assim, mudar o seu fazer pedagógico. De acordo com Güllich e Person (2016), o programa apresenta encontros compartilhados de formação, ou seja, diferentes experiências são socializadas e buscam promover diálogos formativos e qualificar o processo de reflexão. De modo especial neste ano, estamos vivenciando a escrita de relatos individuais, a socialização das escritas e a troca de leitura entre os participantes. Nesse contexto enfatizamos para além da elaboração escrita, a importância dos diálogos compartilhados e, ainda, a  troca de leitura entre os participantes visando a formação do leitor crítico e o espelhamento de práticas, que, segundo Güllich e Person (2016) desafiam os participantes de a partir de um texto lido, pensar, se distanciar de suas práticas pedagógicas e se aproximar das do outro, do colega, para externar o seu pensamento e contribuir no processo da escrita do relato e na (res)significação da docência.

Publicado
2019-07-24