“MENINOS VESTEM AZUL E MENINAS VESTEM ROSA” - GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL NO ÂMBITO DE UMA FORMAÇÃO INTEGRAL E DO PROJETO “ESCOLA SEM PARTIDO”

  • Jéssica Maria Rosa Lucion Instituto Federal Farroupilha - Campus Santo Ângelo
  • Varlei Machado da Rosa Graduação em Direito URI - Santo Ângelo
  • Letiane Nascimento da Ponte IFFarroupilha Campus Santo Angelo
  • Ana Giliara Duarte IFFarroupilha Campus Santo Angelo
  • Maria Aparecida Lucca Paranhos IFFarroupilha Campus Santo Angelo
Palavras-chave: Educação inclusiva; NUGEDIS; Sexualidade; Instituto Federal Farroupilha.

Resumo

Pensar em educação inclusiva é, primeiramente, pensar na escola como um espaço de convívio social, democrático e de diversidade. A sociedade brasileira possui um histórico de exclusão e discriminação, assim, é essencial que questões de raça, gênero e diversidade sexual sejam debatidas nas escolas, visando à formação integral dos alunos. Para isso, há de se considerar que a escola é um ambiente que, além de ensinar conteúdos das disciplinas básicas, ensina sobre valores, hábitos e, principalmente, sobre as diferenças. Em contrapartida, temos atualmente o debate sobre o projeto “Escola Sem Partido”, que dificulta a discussão aberta de temas como estes pelo professor. Segundo este projeto, temas como gênero e sexualidade terão que ser abordados somente pelos pais ou responsáveis que acharem necessário, sendo vedado esse papel à escola. Tal projeto limitaria a possibilidade de trabalhar assuntos tão importantes de forma satisfatória como vem sendo tratados. O presente trabalho trata sobre ações do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (NUGEDIS) do IFFar campus Santo Ângelo, que tem como finalidade inserir no meio escolar discussões a respeito das opressões, violências e desigualdades enfrentadas pelas minorias, focando nas questões de gênero. Para isso, o núcleo desenvolve ações que possibilitam o debate e a interação, abordando assuntos pertinentes para o convívio social, como o combate ao machismo, padrões de gênero e homofobia. Uma de suas ações, que é objeto de relato desse trabalho, foi a I Semana Feminista do IFFar, ocorrida em 2018. O objetivo deste evento foi refletir sobre a condição das mulheres na contemporaneidade, destacando as lutas que ainda se fazem necessárias dentro da sociedade machista e desigual em que vivemos. Durante a semana do evento, discutiram-se temas como: Mulheres Negras e o Feminismo; Violência Doméstica e Empoderamento Feminino; Violência Obstétrica e Aspectos Jurídicos da Violência contra a Mulher. As atividades envolveram alunos dos cursos técnicos integrados ao ensino médio, inclusive PROEJA, oportunizando-lhes momentos de debates e compartilhamento de ideias. Com isso, percebe-se que a escola pode se tornar uma perpetuadora dos papeis, preconceitos e intolerâncias disseminados na sociedade, ou ser um agente de reflexão para transformar esses valores e atitudes. Ações como as promovidas pelo NUGEDIS interiorizam a importância da educação em direitos humanos fazendo com que toda a comunidade acadêmica possa refletir cotidianamente e propor ações voltadas à mudança no quadro de violações, violência e marginalização posto até então para mulheres, homens e LGBTs. Em outras palavras, esses espaços para discussão e promoção de atividades relacionadas a gênero e diversidade sexual, podem colaborar para a ampliação da cidadania de toda a comunidade escolar, e posturas mais democráticas e tolerantes com as diferenças na vida de cada estudante. Portanto, é preciso debater e analisar o projeto “Escola Sem Partido”, que tem um viés amordaçador, e vai contra a liberdade do professor em sala de aula, não deixando espaço para discussões que são importantes para a sociedade. É essencial, que mudemos a visão antiquada da escola, pois o processo de educar, também é conscientizar o papel de cidadão, com criticidade e liberdade.

Publicado
2019-07-21