ESPAÇOS URBANOS E INVISÍVEIS HUMANOS: LGBTQ, VIOLÊNCIA E EDUCAÇÃO

  • Rudião Rafael Wisniewski
  • Alisson Vercelino Beerbaum

Resumo

A invisibilidade condicionada aos sujeitos LGBTQ é fator determinante nas relações estruturantes dos espaços urbanos e, consequentemente, socioculturais. Esta temática se faz relevante no momento em que concebemos que os fatores que constituem os indivíduos são os mesmos que constituem o espaço no qual se inserem, num movimento continuamente recursivo. Assim, pretende-se ampliar a discussão sobre o comportamento dos sujeitos LGBTQ como agentes constituintes das cidades e por elas constituídos. Frequentemente reprimidos e marginalizados pelo status quo da heteronormatividade, resta-os se fazerem invisíveis ou lutarem por visibilidade, e a educação é, sem dúvida, a principal ferramenta para esta tarefa. A segurança nos espaços urbanos é discutido por Skeggs (2004) e tida como fundamental para a discussão e a pesquisa acerca da temática, uma vez que não podemos desconsiderar o medo da violência e do crime pelos quais passam os sujeitos LGBTQ nos espaços urbanos. Não apenas estes grupos, pois a violência nas cidades se caracteriza pelo descontrole social e falta de segurança. Urge a defesa do direto à cidade, à vida digna a todos que estão subjugados à vontade da hegemonia. É preciso conhecer a cidade e desenvolver saberes, inclusive políticos a seu respeito para empoderar os sujeitos que nela habitam (CALLAI; MORAES, 2017). O preconceito acerca da homoafetividade é fator decisivo por “regular, condicionar ou até desconectar as relações entre as pessoas heterossexuais e homossexuais” (HANKE; ORNAT; GELINSKI, 2015, p. 3), podendo excluí-los, forçá-los à invisibilidade, ao “armário”. Educar para a diversidade é o melhor caminho para a convivência pacífica na cidade. A violência só acabará quando a educação for mais ampla e trabalhar a reflexão, os direitos humanos, principalmente das minorias, para superar os fatores deseducadores.

Publicado
2019-02-08
Seção
Artigos