AS DIVAS DEVEM ESTAR LOUCAS: INTERROGAÇÕES SOBRE AS ATUAIS NOMEAÇÕES À MULHER

  • Íris Campos
Palavras-chave: Mulheres. biopolítica. Psicanálise. Gênero. Saúde Mental

Resumo

Este ensaio transita entre os campos de gênero e saúde mental, tal como os entendem
Scott e Bastide. A discussão se dá em torno do pejorativo “louca” que se atribui às
mulheres, em especial quando usados para justificar a violência física que recebem nas
relações conjugais. Dentro da ideia de que de bruxa e de louca cada época tem um pouco,
se traça o percurso difamatório e patologizante sobre a mulher. Neste viés se distingue os
conceitos clínicos de loucura como designativo das psicoses e também o de histeria, além
do de loucura histérica, para mostrar que o universo de representações sociais influencia
o diagnóstico psiquiátrico. Paralelamente se discute a patologização da subjetividade
feminina expressa no DSM 5 e se apresenta a ideia que a medida que a psicodinâmica
freudiana perde espaço no campo da saúde mental as mulheres perdem espaço de fala.
Este é substituído por medicalização psicotrópica. Finalmente se encontra em
psicanalistas contemporâneos a ideia de que o ser da mulher é inominável por qualquer
pejorativo ou adjetivo, restando compreendê-lo como mulher, simplesmente

Publicado
2018-07-17
Seção
GT III – BIOPOLÍTICA, GÊNERO E IDENTIDADE